IRB (IRBR3): tragédia no RS traz reflexão sobre seguros e impacto pode ir a R$ 160 mi

Sede da resseguradora IRB(Re) - Foto: Divulgação

O ressegurador IRB (IRBR3) descarta grande impacto da tragédia de inundações que atinge o Rio Grande do Sul em seus resultados. Ainda sem nenhum aviso de sinistros, a diretoria trabalha com impacto inicial de capital segurado de R$ 80 milhões a R$ 160 milhões, segundo afirmou o CEO, Marcos Pessôa de Queiroz Falcão, em teleconferência de resultados na manhã desta terça-feira (14). As ações de IRB caíam 3,24%, a R$ 36,43, às 12h45.

A dimensão total dos impactos da tragédia do RS para o setor de resseguros ainda vai demorar para aparecer e irá variar ao longo do tempo. “Estamos com pouca informação. O evento é muito recente. Mas estamos muito bem protegidos por retrocessões. Os sinistros catastróficos vêm ao longo do tempo. E vamos acompanhar e refinar esse número. Nosso papel é pagar os sinistros o mais rápido possível. Montamos operação para pagar com mais rapidez, permitindo que a cadeia de resseguros funcione”, destacou ele.

IRB (IRBR3): resultados

Segundo o CEO, a tragédia fará o Brasil refletir sobre a importância do setor de seguros no Brasil. Ele comparou a situação com o furacão Katrina, dos EUA, em 2005, em que metade dos sinistros teriam sido cobertos por seguros, enquanto que no caso do Rio Grande do Sul, não deve passar de 5%. 

Hugo Daniel Castillo Irigoyen, Diretor Vice-Presidente de Resseguros do IRB, destacou que o maior impacto para a companhia deverá ser no ramo de automóveis, principalmente em seguros de coberturas de veículos em pátios de concessionárias.

“Nosso programa de retrocessão [transferência de riscos para outros resseguradores] é robusto. Não vislumbramos nenhuma descontinuidade nos negócios”, afirma. 

O CEO destacou que o evento do Rio Grande do Sul vai ser de muita reflexão para o país.

“O mercado de seguros tem que crescer muito, tem que proteger a sociedade e estou curioso, mas preocupado, que as perdas no RS vão ser significativas, mas as perdas protegidas vão ser insignificantes. Ou seja, o mercado de seguros não está protegendo a sociedade. Precisaremos passar a pensar a questão dos seguros para proteger a sociedade”, destacou.

Números do balanço

Na teleconferência, a diretoria comemorou mais um lucro líquido alcançado em um trimestres pelo IRB. O ressegurador reportou lucro líquido de R$ 79,1 milhões no primeiro trimestre de 2024 (1T24), montante 825% superior ao reportado no mesmo intervalo de 2023.

O lucro líquido foi “impactado tanto pelo resultado de underwriting quanto pelo resultado financeiro, ambos positivos”. Este salto é fruto da limpeza da carteira de resseguros, que ampliou o resultado agregado dos contratos e reduziu a sinistralidade.

Ronaldo Pinelli, diretor de IRB, destacou que a empresa observou mais estabilidade e previsibilidade nas renovações de contratos em 2024 se comparado com 2023. O primeiro trimestre é tradicionalmente o mais importante para a área de contratos, onde renovam-se em torno de 50% do prêmio anual.

O foco deste período foi na disciplina e rentabilidade nas renovações dos contratos. De acordo com a estratégia da companhia, continua o crescimento dos negócios no Brasil, com expansão para América Latina.

Questionado sobre possibilidade de pagamento de dividendos, o CEO Marcos Falcão afirmou que a distribuição de lucros não ocorrerá este ano. Mas, talvez, possa ocorrer em 2025 ou então em 2026.

Índices importantes

O IRB (IRBR3) saiu de um índice de sinistralidade de 124% no 2T22 para 58% no 1T24. A sinistralidade no Brasil cresceu para 45% no 1T24 (de 38% do 4T23) e no exterior caiu para 93% no 1T24 (de 126% no 4T23).

Apesar disso, segundo Hugo Daniel Castillo Irigoyen, Diretor Vice-Presidente de Resseguros, o negócio está sujeito à volatilidade e, segundo ele, é mais importante a análise da tendência ao longo dos trimestres.

Os indicadores de IRB são acompanhados com lupa pelo mercado, desde que a resseguradora foi desenquadrada pelo órgão regulador em 2021.

O Índice combinado da empresa, que demonstra a saúde de subscrições, ainda traz efeito dos anos anteriores, segundo os diretores.

No 1T24, o índice ficou em 99% frente a 111% do 1T23, o que demonstra que “estamos no caminho certo”, pois já está abaixo dos 100%, segundo Castillo.

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