‘Não devemos cobrar todas soluções do setor público’, diz executivo da CNseg sobre RS

O Brasil está sob um novo prisma de risco — que foi ampliado com a tragédia climática registrada no Rio Grande do Sul, com centenas de mortos, desaparecidos e milhares de pessoas deslocadas para abrigos nas regiões arrasadas pela chuva sem precedentes que não para de encher rios e mantém uma espécie de “repique” de inundação.

Para Dyogo Oliveira, presidente da CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras), o setor de seguros precisa ser visto como um componente fundamental na prevenção de novos desastres climáticos — que serão mais fortes e recorrentes no Brasil — nas etapas pré e pós ocorrência desses eventos, como a construção de infraestrutura urbana e a recuperação dos danos causados às cidades. Mas nem tudo deve ficar sob a responsabilidade do poder público, segundo o executivo da CNseg.

A análise do representante do mercado segurador brasileiro foi dada nesta terça-feira (14), em evento do Lide, que reúne empresários, representantes do setor financeiro, governadores e membros do Cogresso Nacional em Nova York, nos Estados Unidos.

Integrante do painel “A nova visão do Brasil”, que dividiu com deputados e senadores, Oliveira afirmou que as cidades brasileiras precisarão, a partir de agora, melhorar a resiliência de suas infraestruturas para serem mais resistentes às intempéries climáticas que terão o Brasil como rota.

“Precisamos nos organizar enquanto sociedade. É natural que, neste momento, o país se mobilize pelo Rio Grande do Sul, assim como tem se mobilizado as empresas de seguros para atender as pessoas. No entanto, também temos que aproveitar o momento para refletir em como sociedade brasileira vai lidar com esses fenômenos que estarão cada vez mais presentes”, disse.

Com participação de 6% do PIB (Produto Interno Bruto) e com perspectiva de atingir 10% do bolo da riqueza produzida no país até 2030, o setor de seguros quer estar no debate para o planejamento e a resiliência do país contra as catástrofes, bem como para o desenvolvimento da infraestrutura das cidades, ressaltou o representante da CNseg.

Segundo Dyogo, o setor segurador tem observado aumento na frequência e na gravidade das intempéries climáticas no Brasil, como chuvas e seca. Nos últimos 10 anos, mais de 90% dos municípios do país foram afetados, de alguma forma, por incidentes climáticos.

“Não devemos cobrar todas as soluções do país do setor público. Vários sistemas de proteção precisarão ser feitos de uma forma diferente, e o setor privado pode participar com iniciativas objetivas. O setor segurador tem como maior habilidade gerenciar risco”, afirmou Oliveira.

Para o executivo da CNseg, os debates que envolvam os setores público e privado são o espaço adequado para a criação de um sistema organizado de prevenção às catástrofes climáticas.

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