Entre as principais causas de incêndio residencial estão mau funcionamento de equipamentos, distração na cozinha, vazamento de gás e sobrecarga elétrica. Só para se ter uma ideia, o número de incêndios por sobrecarga de energia (curto-circuito) chegou a 874 em 2022, de acordo com o mais recente Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica da Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade).

“Em geral, os incêndios ocorrem por fatores artificiais ou acidentários em ambos os cenários. Podem ser causados também por raios, apesar de ter uma incidência bem menor nas ocorrências. Vale ressaltar que os focos de incêndio também podem ser motivados por combustão espontânea, ou seja, com a elevação da temperatura de algum material ao ponto de ignição”, aponta Maureci Oliveira, diretor da Gebram, divisão da corretora de seguros It’sSeg.

Presente em apenas 17% dos lares brasileiros, o seguro residencial costuma ter a cobertura para incêndio nos pacotes básicos ofertados pelas seguradoras que operam no ramo. Nesses casos, a indenização é paga ao consumidor após a ocorrência do incêndio e os danos constatados na residência — que pode ser casa ou apartamento, possibilitando a reposição de bens danificados, incluindo móveis e estruturas do imóvel.

“Essa demanda é bastante significativa, tanto que a cobertura contra incêndio é obrigatória no seguro residencial. Além disso, muitos clientes querem seguros que cubram danos de conteúdo causados por incêndio, como para os móveis, por exemplo”, comenta Alessandra Monteiro, diretora técnica da corretora de seguros Bancorbrás.

Como calcular o valor da cobertura?

Alessandra explica que o valor da cobertura é baseado no valor de construção do imóvel com o seu conteúdo e não necessariamente o valor de venda. “Se for aluguel e esse valor for desconhecido, pode-se multiplicar o valor do aluguel por 120 para obter a cobertura”, exemplifica a diretora da Bancorbrás.

De acordo com Ismael Andrade, superintendente de Seguros Massificados da Seguradora Zurich, o valor a ser contratado deve considerar sempre a possível perda em caso de reconstrução ou recomposição dos bens. “Para casas, o cliente deve considerar o valor necessário para reconstruir o imóvel em caso de incêndio, sendo que neste caso ele não precisa colocar o valor do terreno pois este não será danificado. Já para apartamentos, nossa sugestão é que o cliente contrate pelo valor cheio do imóvel”, complementa.  

Andrade explica que os incêndios em casas tendem a consumir somente o imóvel, já nos apartamentos há maior probabilidade dos danos se estenderem para os vizinhos. Fuligem no andar de cima e danos por água nos andares abaixo (como medida de combate às chamas) são algumas das consequências que podem extrapolar as paredes do lar. Para evitar prejuízos com esse tipo de situação, muitas seguradoras oferecem uma cobertura adicional ao seguro residencial: é a chamada “RC Familiar”, que cobre danos causados a terceiros por um incêndio e/ou explosão ocorridos no imóvel do segurado.

Como prevenir?

De acordo com especialistas do setor, compreender as principais causas e adotar medidas preventivas são passos fundamentais para mitigar tais riscos (veja mais abaixo lista com dicas simples). “A prioridade está na atenção à rotina do dia a dia, de forma que sejam adquiridos hábitos para prevenir e atenuar as chances de incêndio”, observa Oliveira, da Gebram.

Oliveira conta que algumas ações, como manutenção da rede elétrica do imóvel, podem gerar custos mais pesados de mão de obra e eventuais despesas materiais que sejam necessárias para melhoria. “O investimento varia de acordo com tipo de imóvel, tamanho e região”, acrescenta o diretor da Gebram. Certos equipamentos, como registro de gás, mangueira, adaptadores de energia, filtros de linha e detectores de fumaça também variam de preço.

Com uma abordagem proativa e o auxílio das coberturas e serviços disponibilizados pelas seguradoras, os consumidores podem reduzir significativamente os riscos e custos associados a incidentes dessa natureza.

Algumas seguradoras, inclusive, oferecem serviços e assistências como parte das medidas preventivas, já que a recomendação é que o cliente só realize algum reparo se entender do trabalho e tiver experiência. Do contrário, é melhor acionar a seguradora para pedir a indicação de profissionais habilitados para fazer um check-up em tudo que pode representar um risco de incêndio dentro da residência segurada.

Segundo Edmir Ribeiro, diretor territorial da Mapfre, esse é um serviço já bastante ofertado pelas seguradoras que operam no ramo residencial. “Às vezes, o segurado não tem a quem recorrer. Eu até brinco que antigamente todo mundo conhecia um ‘faz-tudo’, mas hoje em dia quase não tem mais isso. Então a seguradora atua para dar o suporte e essas indicações para que façam o check-up”, diz. São profissionais que buscam por mau contato e realizam troca de disjuntor, lâmpadas, interruptores e tomadas e instalação de luz de emergência, por exemplo.

Além da indicação da mão de obra, as companhias também costumam oferecer ao cliente o atendimento emergencial de eletricistas para tomadas queimadas, interruptores defeituosos, lâmpadas ou reatores queimados, disjuntores e fusíveis danificados decorrentes de problemas funcionais ou que possam vir a acarretar curto-circuito.

Vale ressaltar que a oferta dos serviços e assistências para residências varia de produto para produto. Ou seja, tem seguradora que comercializa pacotes já com tudo incluso, enquanto em outras o consumidor pode não encontrar os serviços nos pacotes mais básicos.

Veja 11 dicas para evitar incêndios em casa

  • Nunca deixe portáteis, como torradeiras e sanduicheiras sem supervisão e verifique se eles estão frios ao toque antes de guardá-los, recomendação válida também para alimentos em fogão ou forno. Jamais use água para tentar apagar um princípio de incêndio envolvendo óleo de cozinha ou gorduras;
  • Mantenha aquecedores portáteis a pelo menos um metro de distância de qualquer objeto que possa pegar fogo facilmente, como móveis, cortinas e roupas e inspecione-o regularmente para garantir que esteja em boas condições;
  • Nunca coloque vela acesa em um local próximo a itens combustíveis ou onde possa cair ou tombar com facilidade, e apague-as sempre que for sair do ambiente;
  • Verifique com periodicidade a rede elétrica do imóvel, como fios, disjuntores e tomadas;
  • Evite sobrecarregar tomadas com diversos aparelhos ligados ao mesmo tempo, optando por substituir adaptadores de energia com três entradas ou “T” por filtros de linha que possuem fusíveis programados para se romper em caso de sobrecarga;
  • Não utilize celular, tablet ou outros dispositivos enquanto estiverem carregando e não deixe esses aparelhos conectados à tomada mais tempo do que eles precisam, pois podem gerar curtos;
  • Faça a checagem periódica dos registros e mangueiras de gás, uma vez que esses equipamentos possuem prazo de validade e é necessário trocá-los de tempos em tempos;
  • Verifique antes de sair de casa se você deixou algum dispositivo ligado;
  • Use no-break para casos de oscilação da energia;
  • Instale detectores de fumaça, pois embora não sejam convencionais em residências, ajudam a agir rapidamente na detecção de incêndio;
  • Ao primeiro sinal de vazamento de gás, abra todas as portas e janelas para aumentar a ventilação de ar, não ligue interruptores ou equipamentos elétricos e interrompa imediatamente o fluxo do combustível.

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